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Nota de pesar pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes

Enviado por George em sex, 16/03/2018 - 19:55

Nós, docentes, estudantes e técnicos do IEAR/UFF, expressamos nosso pesar e solidariedade às famílias, amigos e amigas da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, executados a tiros na noite do dia 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Expressamos ainda nossa solidariedade aos seus companheiros e companheiras de mandato e militância do PSOL.

Marielle era uma mulher negra, moradora da Maré, uma militante combativa e parlamentar que desempenhava seu primeiro mandato orientada pelas lutas e demandas das populações mais oprimidas e exploradas de nossa injusta capital, tendo sido a quinta mais votada nas eleições de 2016. Sua entrada na Câmara Municipal foi fruto de uma campanha extraordinária que representou a expressão da construção de um legislativo mais justo e alinhado com a redução das desigualdades e com o reconhecimento dos que secularmente têm sua existência negada na cidade.

Anderson Gomes trabalhava como seu motorista como forma de contribuir para o sustento de sua família nesses tempos da imposição neoliberal da precariedade e do desmantelamento das condições de vida das classes populares.

A dinâmica do crime não deixa dúvidas de que Marielle foi alvo de uma execução fria e calculada e que Anderson morreu por estar na linha dos tiros que tiraram a vida de Marielle. A vereadora recentemente atuava em duas frentes que se contrapõem à brutalidade do Estado cotidianamente vivenciada nas favelas e espaços populares: foi nomeada relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito que objetiva fiscalizar e investigar a intervenção militar sob a qual o estado do Rio de Janeiro se encontra atualmente submetido e trabalhava na denúncia de abusos e violências perpetradas por policiais em Acari, área de atuação do 41° Batalhão da Policia Militar. Esses fatos devem ser levados em consideração nas investigações dessas execuções.

Exigimos não somente a identificação e prisão dos assassinos de Marielle e Anderson, mas o fim do modo pelo qual o Estado gere a agenda de segurança pública, com ações meramente repressivas e ineficazes que só alimentam um imaginário que tem a brutalidade como horizonte.

Os assassinos de Marielle e Anderson mostraram intenção deliberada de silenciar as lutas representadas pela vereadora. Seus disparos desejavam calar, na sua figura, as pautas dos povos negros, favelados, das mulheres, das pessoas LGBTTQ, dos militantes de direitos humanos e dos movimentos sociais. NÃO PASSARÃO!

Seguiremos em luta e de cabeça erguida contra o fascismo e a brutalidade do Estado. Seguiremos na luta pelas Universidades como espaços de crítica, reflexão e emancipação da classe trabalhadora.

MARIELLE E ANDERSON, PRESENTES SEMPRE!

 
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